Criador de Mario, The Legend of Zelda, Donkey Kong e tantas outras franquias, não é fácil estar perto de Shigeru Miyamoto.

Não falo isso porque ele anda repleto de seguranças nos eventos dos quais participa, mas há algo na aura dele que nos congela quando estamos a alguns passos de distância.

A primeira vez que o vi foi na E3 de 2012. Ou melhor, na conferência da Nintendo, que aconteceu horas antes da feira abrir, lá em Los Angeles. Me lembro como se fosse hoje.

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Promovendo então Pikmin 3, o evento começou com um vídeo nos bastidores, no qual o lendário produtor era perseguido pelo exército colorido de pequenos seres.

O mundo mudou assim que ele pisou no palco. Sei que parece um exagero de minha parte − e é em certo sentido −, mas provavelmente você tenha experimentado isso quando conheceu um cantor ou escritor que acompanhou durante a juventude (e ainda continua na cola dele).

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A gente fica perdido quando o sonho vira realidade. Fica reparando, resgata memórias, tenta entender como foi parar ali. Por sorte, o lado jornalista me tirou do êxtase, permitindo que tirasse fotos e voltasse a tomar nota do que era dito sobre o Wii U, que seria lançado meses depois.

Ainda quero voltar a esse assunto, além de contar melhor como foi a experiência de sentar nas primeiras fileiras do evento, que foi o último do gênero promovido pela Big N. Depois vieram os Nintendo Direct…

No entanto, sabendo que esse texto vai ao ar bem no dia em que o designer completa 65 anos, achei melhor fazer um recorte.

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Não estive na edição de 2013 na E3 e não era para ter ido na edição seguinte, mas um telefonema alterou o curso da história, e a poucos dias de a feira acontecer.

Do outro lado da linha estava o assessor de imprensa da Nintendo para o Brasil, que nos procurou para dizer que a Nintendo World havia sido escolhida para entrevistar Miyamoto.

Mais um tema para mais um causo, não vou entrar em detalhes agora. Vou dar mais uma acelerada. Vamos para 10 junho de 2014, lá estava este guri totalmente anestesiado dentro do estande da companhia. Pronto para a entrevista? Até hoje não estou.

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E aí vem o detalhe. Queria muito ter o autógrafo dele, mas e o medo de quebrar algum protocolo? Para nada dar errado, botei na cabeça que estava ali apenas para cumprir o papel de repórter. Obviamente que levei um presente, mas o fã deveria ficar adormecido.

Junto da minha parafernália estavam umas cinco cópias da edição de maio da Nintendo World. A pedido do departamento comercial, deveriam ser assinadas e depois enviadas para o patrocinador da cobertura.

Por isso, já ficaria bastante contente se tirasse umas fotos ao lado dele. E, felizmente, consegui. Para ficar melhor, Miyamoto aceitou autografar as revistas. O engraçado é que ele pretendia assinar todas, mas ao partir para a quarta delas, os assessores disseram que já era suficiente. Ele até insistiu em terminar, mas foi convencido a parar.

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Tinha então três relíquias em mãos. Assim que saí do estande, mandei uma mensagem para meu diretor, que, como o pessoal da redação, estava preocupado com meu estado de saúde. Todo mundo achava que ia desmaiar de nervoso durante a entrevista.

Durante a troca de mensagens, ele me perguntou se havia conseguido concluir minha missão paralela. Expliquei que sim e aí ouvi algo especial: “Pegue então uma das cópias para você, mas nunca revele nada para o departamento comercial”.

Não havia melhor presente, pois era o autógrafo não estava em um papel ou na embalagem de um jogo. Era na edição 181 da revista da qual era editor. Era a cereja do bolo de um trabalho de nintendistas apaixonados. Não há melhor troféu para a carreira de alguém que quis virar jornalista especializado em Big N.

NW181_TUDO

Peguei então a primeira das edições autografadas, pois era a única com uma estrela acima do nome do gênio dos games. O duro é que, após tanto tempo, ainda não consegui colocá-la em um quadro. Empolgado depois contar essa passagem, quem sabe não concluo mais essa missão paralela?