Bebendo todas com Hideo Kojima (calma, era só água!)

Depois de me recusar a ir para Los Angeles em 2011 para cobrir a Electronic Entertainment Expo − alegava que não me sentia preparado para encarar o maior evento da indústria dos videogames −, um ano depois lá estava este guri naquele furacão.

A feira rola em junho e dura três dias (terça, quarta e quinta). Em 2012 foi entre os dias 5 e 7 daquele mês. Como manda a tradição, as conferências das companhias mais significativas são realizadas, uma atrás da outra, nos dias anteriores à abertura dos portões do LA Convention Center. Com isso, naquele 4 de junho (uma segunda) estavam programadas as atrações da Microsoft, EA, Ubisoft e Sony.

Quando disse o sim para a missão já sabia que seria uma correria. Entretanto, uma correria das boas. Sendo muito sincero, você absorve quantidades enormes de informação, traz consigo inúmeras experiências. No entanto, o trabalho pesado fica com o pessoal da redação.

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Há um intervalo de uma a duas horas entre cada apresentação − e todas são em locais diferentes. A fome logo vem, porém não dá para procurar um restaurante ou coisa que o valha. Principalmente se você estiver ansioso para escrever um resumo do que viu e ouviu, gravar um vídeo opinativo ou contar com a sorte (e uma boa conexão de internet) para enviar fotos para o Brasil.

As produtoras tentam nos agradar, seja com pipoca ou barrinhas de cereal. No entanto, a Sony sempre foi mais fundo nisso. Por um bom tempo, ela alugou a arena multiuso do Los Angeles Memorial Sports, montando então no extenso estacionamento um verdadeiro festival de Food Trucks, que serviam hambúrgueres e outros petiscos em versão amostra grátis. Sim, era tudo na faixa!

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Para provar tudo o que era servido, incluindo os doces, meus amigos se espalharam. Não me recordo se belisquei algo, pois as filas eram um (pequeno) teste de paciência e não tínhamos muito tempo. Fomos para lá de carona com um jornalista de outro veículo nacional, em vez de pegar o ônibus oficial. A praticidade, de certa forma, jogou contra, pois a cidade tem um trânsito tão intenso quanto o das nossas metrópoles.

Era a minha primeira vez no território do inimigo e queria levar alguma recordação. Consegue imaginar uma pessoa que, ao viajar, coleciona até panfleto de supermercado? Por sorte, vi que, entre as bebidas distribuídas, as garrafinhas de água estampavam o logotipo dos consoles PlayStation.

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Como quem não quer nada, fui até um dos balcões para disputar a atenção dos garçons. Missão concluída, andei até uma das mesinhas menores, aquelas onde ficamos de pé mesmo. Coloquei a mochila no chão, dei uma bebericada e a ficha caiu.

Sabe aquele momento em que você só viaja na maionese? “Como vim parar aqui?”, você questiona. Aí, ao virar para o lado, vi um homem, com uma bolsa carteiro, se acomodando em uma das tais mesas. As mãos estavam ocupadas segurando um prato de papelão (ou plástico) com um quitute e uma bebida (não sei se era água, refrigerante, cerveja. A memória não me ajudou).

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Sou bom de fisionomia e, em poucos segundos, me dei conta que se tratava de Hideo Kojima. Um dos produtores e diretores de games mais renomados da galáxia, fez carreira na Konami, principalmente com a franquia Metal Gear, onde brilhou por quase 30 anos.

A ação mais esperada seria literalmente pular nele, para dar um abraço ou pedir um autógrafo. Na época, as selfies ainda não eram uma mania. Estava sozinho, não haveria resistência. Acabei fazendo o contrário − tal comportamento se repetiria com o flagra de outros talentos naquela e nas E3 seguintes.

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Fiquei apenas admirando, tentando entender o que estava acontecendo. Com medo de assustá-lo, nem tirei da mochila a minha máquina fotográfica. Chega a ser bizarro encontrar alguém que você admira fazendo algo tão trivial quanto comer. Naquele dia eu descobri que desenvolvedores de jogos são tão humanos como nós.

Acabei não registrando “o encontro”. Mesmo assim, gosto de pensar que Kojima está escondido em algumas das fotos que tirei antes daquilo e estão aqui nesse post. Ah, a garrafa plástica foi comigo para o hotel. No entanto, na hora de fechar as malas e partir dos Estados Unidos, ela foi descartada, dando espaço para outro badulaque.

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