Levando bronca no zoológico!

O lançamento de Donkey Kong Country Returns, por si só, já era algo carregado de emoção. Com certas mudanças na jogabilidade, aproveitando então os sensores de movimento do Wii, e algumas ausências em relação aos inimigos − onde foram parar os Kremlings? −, o título resgatou umas das trilogias mais marcantes da Big N. Principalmente para aqueles que, como eu, eram garotos com seus 8, 10 anos no início da década de 1990 e se divertiram demais com Diddy, Dixie e Kiddy em seus Super Nintendo.

Se isso já era interessante, a celebração preparada pela Latamel tinha requintes internacionais. Levando em consideração a repercussão que poderia causar, alugaram um espaço no Zoológico de São Paulo, na capital paulista, para promovê-lo.

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Tudo rolou na manhã e na tarde de 21 de novembro de 2010, mesma data em que o game invadiu as lojas norte-americanas. Ensolarado, aquele domingo combinou muito bem com o cenário tropical que foi reproduzido.

Aquele era o meu primeiro contato ao vivo com os representantes da Nintendo no país e com os colegas de imprensa. Tinha apenas 10 dias como editor da Nintendo World. A ansiedade se misturava à insegurança…

Com o ingresso em mãos, fui de metrô até a estação São Judas, onde vans contratadas levavam ao Zoo. Cheguei um pouco depois das 10 horas. Logo na porta, gravatas com as iniciais do gorilão era entregues aos visitantes. Houve quem ganhasse também um protetor solar para automóveis com as artes do game.

A Donkey Kong Island foi erguida perto da área dos elefantes, talvez em uma homenagem à simpática Ellie. Sete estações estavam disponíveis para o público em geral e havia mais duas rodando Kirby’s Epic Yarn e Wii Party. E não posso esquecer das duas reservadas para os convidados.

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Vendo a enorme fila na entrada das tendas brancas, me anunciei. “O que é Nintendo World? É uma loja?”, devolveu a moça que cuidava da recepção. Tudo explicado, pedi para que mostrassem quem era o responsável pelo evento.

Com roupa de bacana e gel no cabelo, ele saiu de lá de dentro meio sem vontade. Me cumprimentou com certo desdém. Nem se deu ao trabalho de tirar os óculos solares. Não sei você, mas para mim é falta de respeito. É o mesmo que não tirar os fones de ouvido quando te fazem uma pergunta. “Pronto, vou ter que suportar esse guri na minha cola”, reclamei comigo mesmo.

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Sem entender a atitude (ah, a inocência), me distraí distribuindo edições antigas da NW que o diretor comercial havia levado em seu carro para dar de brinde para a galera. Na sequência joguei um pouco, troquei figurinhas com outros jornalistas e realizei minha missão principal.

Como estagiário de comunicação corporativa, já havia feito cobertura de muitas ocasiões semelhantes. Por isso, queria evitar clichês como “o que você está achando da iniciativa?”. Bem, acabei seguindo essa linha no post publicado no site da revista, porém para a versão impressa foi diferente.

O plano era infalível. Me posicionei na saída da área, de tocaia mesmo, tentando identificar pais e filhos que pudessem contar histórias nostálgicas. Ouvi inúmeras e até fiz amizade com um dos entrevistados, que sempre encontro por aí.

Enquanto colhia depoimentos, acompanhava o ir e vir de Mario e Luigi − era a estreia da fantasia dele em solo tupiniquim. Devido ao sol forte, os atores ficavam 10, 15 minutos interagindo com as crianças e aí corriam para se refrescar. Para efeito de registro, um deles, sem vestir qualquer caracterização, explicava as mecânicas da aventura para os mais curiosos.

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Em um dos descansos dos encanadores, me toquei que o esconderijo deles, montado com uns biombos, ficava perto de onde fazia minhas abordagens. E, como a curiosidade me move, observava tudo. Era, no mínimo, surreal. Nunca me imaginaria trabalhando para a revista oficial da Nintendo em plena ação de marketing da… Nintendo!

De repente, vi um cara assustado correndo na minha direção. Era o engomadinho. “Hey, não pode tirar foto dos personagens!”. Estava com minha câmera pendurada no pescoço. Nessas horas costumo ficar quieto, engulo o sapo. Porém, calmamente expliquei que não seria idiota de fazer aquilo. Estava jogando no mesmo time, não estragaria nenhum segredo. Nunca divulgaria imagens dos atores se trocando. Apenas contemplava a cena.

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O meu desabafo felizmente foi entendido. Relevei a bronca e a ficha só caiu quando me contaram que o editor que sucedi era amigo dele. O pior é que não foi o único caso de rejeição que sofri por algo que me era alheio.

Apesar do constrangimento, fiz questão de agradecer pelo convite ao me despedir. E, doido por um suvenir, pedi o kit de imprensa que estavam dando. O chapéu de safári é a peça inaugural do meu museu particular de bugigangas da Big N.

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Em troca, me comprometi a divulgar no site da NW o resultado do concurso cultural que estavam realizando, no qual três sortudos, ao escreverem frases criativas, levariam para casa um Wii.

De fato foi um começo complicado, mas quem disse que desisti? Que diga o almofadinha, que, no final das contas, não era aquele quadro que pintei. Ele me aturou nas atividades da Gaming do Brasil que rolaram nos anos seguintes e até mesmo em situações mais particulares. Imagine quem estava na maternidade quando o filho dele nasceu?

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